Cristão. Romano ou judeu?

Pr. Carlos Garcia Costa

Não tenho como propósito agradar homem algum, nem grupo religioso, nem causar constrangimento a pessoas ou polemizar o assunto. Desejo levar os filhos de Deus a uma reflexão sobre o tema para que busquem as respostas apoiadas nas escrituras sagradas, principalmente no Novo Testamento, na doutrina dos Apóstolos e nos ensinamentos de Jesus Cristo. Quem tem ouvidos que ouça.


Doutrinas de Demônios


A Igreja está vivendo um tempo de apostasia. Em um contexto de restauração apostólica e profética simultaneamente se ergue entre os filhos de Deus uma doutrina estranha. Meros ensinamentos de homens, cumprindo a palavra que diz:

"Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios" (1Timóteo 4.1).
Um dos maiores enganos que tem alcançado a Igreja de Jesus Cristo nestes últimos dias é o sofisma de que, para se redimir dos erros eclesiásticos do passado, a Igreja deve "sair de Roma". Em troca desta "conversão" induzem os fieis a se voltarem para o Antigo Testamento, para a Lei Mosaica.

A verdade é que a Igreja não é Romana e nem Judia. Os dois extremos levam para a morte, é o que a Bíblia chama de doutrinas de demônios, proibindo a liberdade a que Cristo nos chamou (Gálatas 5.1).

O Apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, escreveu que estão separados de Cristo os que se justificam pela Lei, estão destituídos da graça, anulando a obra de Cristo (Gálatas 5). Voltar-se para a Lei Mosaica é negligenciar o Cristianismo.

"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos *rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne" (Colossenses 2.20-23).

*Grifo do autor: rudimentos do mundo = voltar aos costumes religiosos antigos (Cl 2.8), por doutrina ou demonstração, causando proselitismo, apostatando da fé.

Os contextos histórico-cultural, político e espiritual do Antigo Testamento não se aplicam à Igreja neotestamentária. Concluo que a Igreja de Jesus Cristo vive pela fé, pela Lei do Espírito, pela Lei da graça e da liberdade em Cristo (veja: Romanos 8.2; 3.27,28; Tiago 2.12; Efésios 2.8,9).


Sombras de Cristo

Estão sendo introduzidos no meio evangélico costume religioso do judaísmo e símbolos judaicos que não faziam parte dos costumes e das doutrinas dos primeiros cristãos. A exemplo disso cito: as festas judaicas; a guarda do sábado, o uso do talit, do kipá e do mezuzá , o menorah; a estrela de Davi, a Torá, o muro das lamentações, a substituição da nossa língua pela língua hebraica (falada e escrita), etc.

O apóstolo Paulo, circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, foi fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível (Fp 3.5,6), ao se converter a Cristo escreveu para a Igreja dizendo:

"Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo (CL 2:16).

O Antigo Testamento é sombra do Cristo que veio e se *****priu na pessoa de Jesus, o Filho de Deus (veja: Rm 10.4).

O meu conselho é para que não façam de objetos religiosos amuletos "sagrados", isso é idolatria, nem da Lei Mosaica princípios da fé Cristã. "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4.24).


O mau ensino sobre o shofar

Não há nada de errado em utilizar este instrumento musical na adoração ao SENHOR e como símbolo da palavra e do ministério profético. O uso da trombeta no contexto bíblico era empregado em ambas as partes, tanto para a adoração ao SENHOR, quanto para alertar o povo para convocações solenes ou aviso de perigo (1Corintios 14.8).

Não podemos mistificar o uso deste instrumento dentro da Igreja. Tem sido ensinado (por doutrina ou demonstração) que o toque do shofar "atrai a glória e a presença de Deus". Isso é uma heresia, uma doutrina contrária aos fundamentos neotestamentários que Jesus Cristo e os santos apóstolos e profetas nos legaram através das escrituras sagradas.

A presença de Deus no meio da Igreja está fundamentada nas palavras de Jesus Cristo que disse: "Porque, o­nde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mateus 18:20).

Onde estiverem dois reunidos em o nome de Jesus, em adoração, em oração, em comunhão, ali está a presença viva e gloriosa de Deus. Isto é um fundamento e um princípio apostólico para a Igreja irrevogável. Lembrado que um dos nomes de Jesus é Emanuel, que quer dizer, Deus conosco (Is 7.14/Mt 1.23).

O shofar não é mais "santo" do que os outros instrumentos utilizados na adoração. Santos são as pessoas que adoram a Jesus. Um instrumento inanimado não pode melhorar o que se pode fazer com duas pessoas reunidas no nome de Jesus. O som do shofar não atrai a presença de Deus, não cura os enfermos e nem expulsa demônios. Qualquer ensino (seja por doutrina ou por prática), que fere estes princípios da Palavra de Deus é um engano maligno para deter a Igreja. Seja considerado anátema quem tais coisas ensinam, seja por doutrina ou por demonstração.


Jesus, luz do mundo e SENHOR do shabbat

A Menorah - (1) É de se presumir que a primeira menorah tenha sido feita obedecendo a instruções minuciosas de Moisés. Ela era impressionantemente grande, de ouro puro e de desenho altamente decorativo. Quando o Templo foi destruído, a menorah tornou-se o principal símbolo artístico e decorativo da fé judaica. A razão pela qual a menorah de sete braços nunca foi usada como parte ou ornamento do ritual até os tempos modernos foi a proibição rabínica da reprodução e uso de quaisquer dos ornamentos do templo. Em conseqüência, no lar, era o candelabro do Shabat e o castiçal convencional que supriam a iluminação nas ocasiões festivas e religiosas. A menorah foi reintroduzida em 1948 (Proclamação do Estado de Israel) como símbolo nacional do povo judeu e da identidade de Israel.

"E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más" (Jo 3:19).

"Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8.12).

O Shabbat - (1) A Torá afirma que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, ordenando-nos assim que descansássemos também. No Shabbat, é proibido trabalhar:
- Não é permitido trabalho, ou qualquer coisa que provoque esforço.
- É proibido escrever, ou fazer marcas permanentes sobre qualquer coisa.
- Negócios são proibidos, incluisive tocar em dinheiro.
- É proibido acender fogo.
- É proibido cozinhar.
- É proibido rasgar, cortar e alterar a forma de qualquer coisa, inclusive papel.
- É proibido viajar em qualquer tipo de veículo ou animal (inclusive elevador, existem elevadores que são ajustados de modo a parar automaticamente em cada andar do edifício.).
- É proibido tocar em instrumentos musicais, assim como praticar esportes.
- É permitido tomar banho, porém as regras para o banho no Shabbat são tão complicadas que tornou-se costume não o tomar.
- A circuncisão é permitida, apesar de cortar ser proibido.
- É proibido carregar qualquer coisa para fora de casa.
- É proibido enterrar os mortos.

(1) Comunidade Judaica Brasileira: http://www.eifo.com.br/indexweb.html
"E disse-lhes (Jesus): O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim o Filho do homem até do sábado é Senhor" (Mc 2.27,28).

"Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" (Jo 5:17).


A bandeira de Israel

"Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam" (Salmo 122:6)

Exibir a bandeira de Israel na Igreja não significa amar Israel. Reforço que é errada a idéia de que abandonar conceitos romanos é voltar-se para o judaísmo, isso é doutrina de homens.

A Igreja de Jesus Cristo é universal - ela não tem pátria, por isso não é israelita; ela não tem raça, por isso não é judia; ela não possui partido político ou social, por isso é chamada Casa de Oração para todos os povos (Isaías 56.7; Marcos 11.17). Nossa pátria, nossa raça, nosso governo, nossa casa, nossa família, são o Reino de Deus.

A bandeira é a representação de um povo. Ao expor qualquer bandeira dentro da Igreja tomamos partido ideológico, político e social de quem aquela bandeira representa. A bandeira de Israel pode impedir, por exemplo, que um árabe ou alguém não goste de Israel venha conhecer a Cristo (Mateus 18.14; Lucas 11.52; Marcos 9.42; Atos 28.31).

A doutrina dos apóstolos nos ensina a amar e orar por todas as nações, por todos os povos, por todas as raças, por todas as pessoas por quem Jesus Cristo derramou o Seu precioso sangue. Neste novo paradigma o amor de Deus não se limita a um único povo, mas estende-se a todos quanto receberem a Jesus Cristo como o SENHOR (João 1.11,12).

Meu conselho é que não idolatrem a bandeira de Israel. Se não se pode estender as bandeiras de todas as nações juntas e orar por todas elas, não existe motivo para expor somente a bandeira de Israel dentro da Igreja. Sendo assim, que não se estenda nenhuma.


"Amando" Israel ou servindo Mamon?

" ...não façais da casa de meu Pai casa de venda" (Jo 2:16).

Acredito que o extremo dessa aberração que tem feito a igreja desviar-se da verdade da sã doutrina dos apóstolos é a idolatria a Israel. A ambígua frase, "amar Israel", usada escusamente por alguns no salmo 122, se converte em uma grande máquina de dinheiro através da venda de amuletos religiosos, meros souvenir e de peregrinações na terra santa, viagens turísticas. As indulgências parece apenas ter mudado de nome.

"Disse-lhe Jesus: ...a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai" (Jo 4.21).

"Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.24).


Conclusão

O cânon do Novo Testamento está completo. É o conjunto de regras gerais deixadas por Jesus e pelos apóstolos como normas de vida cristã. Devemos obedecer a essas normas até o fim (Mt 7.21; Ap 6.9).

No livro do Apocalipse está escrito que, se alguém acrescentar ou tirar quaisquer palavras das escrituras sofrerão as conseqüências previstas nelas (Apocalipse 22.18,19).

O Antigo Testamento são sombras das coisas futuras, sombras de Cristo (Cl 2.17 / Hb 10.1). O Velho se cumpriu no Novo (Hb 10.9), a graça sobrepôs a lei, o amor ao pecado (Rm 5.20), o perdão à vingança (At 10.43).

O Novo Testamento é o cânon de todo cristão que pela lei de Cristo Jesus recebe graça, fé e salvação da parte de Deus. Que ninguém vos engane!

Fonte: www.urrodoleao.com.br