Pastor Segundo o Coração de Quem?

A pouco tempo atrás ouvi uma história a qual compartilho com vocês.
Uma irmã (a qual por questões obvias não vou revelar o nome e igreja), passou pela seguinte experiência:
Em um final de culto movida por um grave problema pessoal, a irmã em questão, procurou o seu pastor no desejo de abrir o coração pedindo-o, que este lhe ajudasse em aconselhamento pastoral. O pastor, sem poder ouvi-la naquele momento, até porque, muita gente desejava lhe falar e principalmente lhe cumprimentar em virtude do maravilhoso sermão que havia pregado, solicitou à irmã que procurasse a secretaria da igreja e agendasse um encontro.

Assim foi feito. No dia seguinte a irmã procurou a secretaria tentando agendar o encontro pastoral, no entanto, pra sua surpresa, a secretária lhe informou que o tal pastor não teria agenda livre para os próximos cinco meses, o que impossibilitaria o seu atendimento. A moça se desesperou, implorou, pediu pelo amor de Deus, mais nada pôde ser feito. A secretária explicou que o pastor tinha já agendado muitos encontros, jantares, viagens e conferências que tinha que ser priorizadas e que o máximo que ela poderia fazer era encaixá-la num atendimento quatro meses depois.
A moça saiu da igreja naquela manhã de segunda-feira pior do que entrara, na verdade, agora ela se sentia deprimida, desvalorizada e sem perspectiva alguma de ser ajudada em seu problema. O pastor a qual ela pensava que poderia ajudá-la infelizmente não poderia fazê-lo.
Seis meses se passaram e a moça desiludida, bem como desesperançosa, não fora mais à igreja. Pra sua tristeza, ninguém, absolutamente ninguém, a procurara querendo saber o motivo de sua ausência. Até que um dia, o pastor da igreja a qual fazia parte, encontrou-a na instituição o­nde ela trabalhava. Ao encontrá-la o pastor, não esboçou nenhum comentário quanto a sua ausência, na verdade, a única coisa que falou, é que estava correndo, em virtude da grande e complexa agenda.
Não sei o que você pensa e sente ao ler essa pequena história. Quando soube do fato fui tomado por uma grande perplexidade que me fez questionar sobre o papel pastoral nos dias de hoje.
Onde estão os pastores do povo de Deus? o­nde estão aqueles que por amor ao Rei, largam as 99 ovelhas em detrimento de uma que se perdeu?
Vivemos uma crise de pessoalidade, alguns pastores se tornaram mega-stars, imponentes, poderosos e exageradamente impessoais. As mensagens pregadas nos púlpitos são frutos diretos de um marketismo religioso. Infelizmente os pastores têm se preocupado mais com a porta de entrada do que com a porta de saída. O fluxo e refluxo dos que entram e saem dos nossos templos é impressionante. Vivemos numa era o­nde as pessoas são coisificadas, o­nde seres humanos, criados a imagem e semelhança de Deus são representados por números.
Nossa geração mais do que qualquer outra necessita de pastores de almas, necessita de gente abnegada, que se preocupa com a dor do próximo e que tem prazer em cuidar da ovelha ferida. Que Deus tenha misericórdia de seu povo e levante pastores segundo o seu coração.
Sole Deo gloria,

Pr. Renato Vargens